Quero compartilhar um evento que ocorreu comigo no ano passado, enquanto ainda batalhava por um emprego. Minha intenção é mostrar como pessoas despreparadas se aproveitam da fragilidade de um candidato, para imporem sua arrogância como entrevistadores.

Eu morava a 650 km de SP capital, quando recebi um telefonema de uma empresa que tinha garimpado meu currículo e queria me entrevistar logo na segunda-feira seguinte. Era sexta-feira e eu deveria viajar no domingo por 8 horas e me encontrar com a recrutadora em uma doceria famosa da capital paulista na primeira hora. Quem está ou já esteve desempregado, sabe do que estou falando: a vontade de voltar ao mercado é tão grande, que não medi esforços para realizar o intento. Contudo, minha jornada de infortúnios acabara de se iniciar.

Fora o tempo de viagem, gastei com combustível e pedágios, e só não gastei com hotel, pois meus pais, coincidentemente, moram na cidade e me hospedaram por uma noite. A entrevista era às 8 da manhã, num dos endereços mais caros de SP. Trânsito indecente e custo dos estacionamentos da região lá na estratosfera. Cheguei bem antes para não me atrasar, mas aguardei no carro até 10 minutos antes do encontro para não demonstrar ansiedade.

Cheguei e não pedi nada, não por falta de vontade, mas é que me recuso pagar quase 10 reais num cafezinho, por melhor que seja. Questão de princípios. E nada da fulana chegar. Quando deu 8:30, não resisti e liguei – lembrando que torrei meus créditos em 1 minuto, pois meu DDD era de fora da cidade. A mulher me falou: “Ué, não é às 9:00?”, com certa indignação. Respondi que não. Tinha um e-mail dela confirmando meu horário. “Ah, tá, to indo então…”. De fato, chegou às 9:10. Atrasada, mesmo no horário dela.

Quando chegou, não tinha uma cópia do meu CV em mãos. Total desprezo e despreparo. Tive que narrar de cabeça toda minha trajetória profissional, com ela anotando aquilo que convinha. Ao final, olhou o resumo feito e me disse: “Puxa, estamos procurando alguém com mais experiência na função”. Eu já estava me controlando para não perder a calma – o mix de sangue espanhol e italiano ferviam dentro de mim – e lhe disse: “Olha, essa informação está descrita claramente em meu CV, logo nas primeiras linhas. Mas, como você parece não ter nem lido, deve ter passado batido…”. Ela me olhou, e tentou disfarçar que já não estava tudo arruinado, e me pediu para fazer uma redação sobre alguma idiotice qualquer, para avaliar alguma outra idiotice qualquer. Claro, era só pró-forma, para fingir que o processo seletivo – que já estava encerrado – ainda continuava. Desejou-me boa sorte, despediu-se e foi atender outro candidato que estava a duas mesas de distância, e ouviu toda minha entrevista em primeira mão.

Não preciso nem dizer o quão revoltado fiquei! O saldo da minha aventura foi:

  • combustível para 1.300 km de viagem: ida e volta;
  • uns 15 pedágios, ida e volta;
  • alimentações durante a viagem;
  • 16 horas ao volante;
  • uns 30 reais de estacionamento, num dos bairros mais caros da capital;
  • alguns reais em créditos de celular;
  • nem um cafezinho para adoçar meu bico, por conta da empresa que me chamou para tamanha pataquada!
  • e obviamente, nenhum emprego!

Até hoje, não me recuperei totalmente do episódio, de tão inconformado com o desleixo e desrespeito comigo candidato. Pensando bem, foi até bom não entrar numa empresa que trata seus ativos dessa forma! Eu não poderia trabalhar com profissionais dessa estirpe.

p.s. quando voltei para casa, achei a presidente da empresa no LindedIn e escrevi toda história para ela. Estou esperando retorno até hoje. Daí, percebe-se qual a diretriz corporativa sobre respeito.

Santa indecência! – diria Robin.

Se você já passou por isso. Manifeste-se nos comentários, por favor.

Eng. William Mazza

*também realizo análises minuciosas de CV e perfil de Linkedin, além de ter bolado a “Estratégia de Recolocação Profissional do WMazza em 10 passos” – Conheça!!

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