Ninguém iniciou a vida profissional sendo chefe, quer dizer, a maioria não, pois sempre tem um amigo do conhecido do primo que iniciou a carreira comandando pessoas. Entretanto, vamos deixar a exceção de lado e assumir que todos começaram dando conta apenas de si, e foram galgados a posições de comando em algum momento posterior. Dessa forma, é fato que a primeira pessoa que nos foi apresentada ao chegarmos no trabalho foi o chefe. Aliás, é bem provável que já o tenha conhecido antes, durante o período de entrevistas e, sim, ele te escolheu no meio de tantos por ter enxergado vantagens suas em relação aos outros candidatos. Então, por que essa história que tinha tudo para ter final feliz, muitas vezes acaba naufragando? É o que tentarei responder nesse post.

Chefe é normalmente alguém responsável por uma ou mais áreas, e que vive sendo cobrado por entregar os resultados esperados pelos clientes internos e externos. Na maior parte do tempo, está sob pressão constante, e reage a ela das mais diversas maneiras. Existe aquele tipo que eu chamo de “chefe 3ª lei de Newton”, pois a pancada que recebe dos superiores, repassa na mesma intensidade, direção e sentido oposto, ou seja, nas nossas cabeças. Também, tem o chefe que absorve tudo e explode com algo insignificante, mas que o fez transbordar num momento inesperado, deixando todo setor atônito. Fora o estilo que distribui sorrisos para todo lado, mas que de bonzinho não tem nada. Enfim, são inúmeros os estilos de chefe possíveis.

O problema ocorre, principalmente, quando, independentemente do estilo, você sofre adoidado nas mãos do chefe. Às vezes, o suplício dura anos, décadas, e não há o que fazer, afinal, você ainda não ganhou na Mega Sena. Sorte dele que pode esbravejar e soltar os cachorros em cima da equipe! Coitado de quem não pode fazer absolutamente nada, a não ser se calar e tocar a vida. Contudo, entendo que o problema fica crônico, quando suas pretensões de ascensão na empresa são baseadas em perpetuar o modelo recebido, e não construí-lo de maneira diferente. O funcionário não vê a hora de assumir o comando, para que, ao invés de mudar, possa ser ele o próximo a pegar a chibata nas mãos e arrancar o couro dos demais colegas oprimidos. Assim nasce o chefe idiota! Nasce de um desejo de retribuir grosserias e humilhações sofridas, agarrando-se ao que o poder tem de pior: a falsa sensação de superioridade!

Meu apelo é pelo resgate da nobreza interior! Dizem que “não importa o que a vida fez com você, mas sim, o que você fez com o que a vida fez com você”. Por que não exercer sua liderança de maneira saudável, convencendo sua equipe de que vale a pena seguir seu caminho? Cada vez menos, empresas e pessoas aceitam ter um pitbull raivoso como chefe! E mesmo que “aceitem”, aí está a justiça para reparar os danos morais causados pelos desalmados do mundo corporativo. Claro que muitas vezes dá vontade de chutar o pau da barraca e sair pagando bronca geral, mas autocontrole é fundamental para um superior hierárquico! Seja inteligente e pense: onde você chegará sendo um grosseirão, cuja presença amedronta e desestimula outros profissionais? Quem é que aguenta ser vilipendiado sistematicamente? Ninguém! Então, resista a tentação de ser idiota, e transforme-se num líder exemplar, que leva pessoas consigo, não na imposição, mas no convencimento. Esse é o verdadeiro líder!

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