O que aprendi a duras penas quando fiquei desempregado – parte 1


Ninguém que se esforça ao máximo no trabalho e batalha diariamente para entregar bons resultados pensa na possibilidade de ficar sem emprego. Pensamos ser insubstituíveis. Não imaginamos o departamento rodando com a mesma pegada, entregando metas com avidez, ou seja, sequer consideramos a possibilidade da empresa existir sem nossa presença. Aí vem a demissão, e o mundo desaba! Pior, a empresa continua lá e, apesar do baque – se houver -, tudo flui como sempre fluiu antes de estarmos por lá.

última bolachaIsso aconteceu comigo duas vezes. Na primeira, eu era responsável por uma área importante da empresa e nem imaginava a possibilidade de ser saído. Quando me chamaram para demissão, achei que estavam me buscando para promoção! Olha só, que alienação! Os caras lá de cima me fritando nos bastidores, e eu me achando a última bolacha do pacote. Realmente, eu era: quebrada, murcha e sem o recheio das demais. Na segunda vez, o contexto foi outro bem diferente, por isso, fica para outro post.

Volto à primeira demissão. Depois da pancada inicial, pensei: “Tranquilo, sou formado em engenharia em universidade pública, falo inglês fluentemente e tenho experiência internacional! Estarei recolocado em uma semana!”. Juro que pensei assim! Não tinha ideia da crueldade do mercado de trabalho. Não fazia a menor ideia de como a maioria das empresas se aproveitam da fragilidade do desempregado para tratá-lo como vermeverme. Não, não estou exagerando. “Verme” é a melhor palavra, sim senhor. Se discorda, já sei que nunca esteve “disponível para o mercado de trabalho” – eufemismo para “estou em maus lençóis”, isso para ser educado.

Que agonia! Nem currículo preparado eu tinha! O primeiro choque de realidade ocorre quando precisa escrever seu CV. Percebe-se rapidamente que apesar do turbilhão de trabalho e atividades, o que se pode colocar no documento são os jargões que todos colocam, mesmo que não passem nem perto do real significado de “aumento de produtividade”, “facilidade de trabalho em equipe”, “gestão de pessoas”, e várias outras que dizem muito e nada ao mesmo tempo. De repente, vem um frio na barriga. Como um recrutador vai diferenciar as minhas experiências reais e intensas, daquelas digitadas sem significado por qualquer um? Pois é! Até hoje não sei a resposta!

Mas a batalha nem começou. O que fazer com o currículo? Entregá-lo para quem? Metralhar currículo adianta? Inscrever-se em site de vagas é bom ou ruim? As vagas são reais ou são fakes? Quando pensava em reativar alguns contatos mais antigos, pensava: “eu não falo com o cidadão há anos, agora que estou sem serviço, vou ligar do nada, na maior cara de pau, e de repente pedir ajuda??!! Eu não tenho essa cara de pau!”. É impressionante como nos sentimos sozinhos e desamparados nesses momentos. Quando trabalhávamos, parecíamos tão queridos, repletos de pessoas prontas para nos ajudar, e fazer o impossível por nós, em nome da velha amizade.,, pura balela! Amigos uma ova! Certamente, estão dizendo: “eu sabia que isso iria acontecer”, “quem será que vai pro lugar dele?”, “o cara se achava, e olha no que deu…kkkk “.

o tempo não passaO dia do desempregado dura 36 horas. Se acorda cedo, fica frustrado por que são 7:30 e não há mais o que fazer. O e-mail já foi checado, o site de vagas não colocou vaga nova (pois já tínhamos checado à meia-noite do dia anterior), nenhum recado no celular, e ainda tem o dia todo para repetir tudo que foi feito à exaustão no dia anterior. Se acorda tarde, dá aquela terrível sensação de vagabundagem. Sendo que quem acorda tarde, dorme tarde também. A família toda dormindo, e você procurando oportunidades às duas da manhã. É de matar!!

Para o post não ficar demasiado longo, paro por aqui. Continuarei minha saga na parte 2.

Muito obrigado e até a próxima!!!

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7 comentários em “O que aprendi a duras penas quando fiquei desempregado – parte 1

  1. Refletiu minha situação, a empresa faliu, fiquei sem emprego,e pior percebi que já não estava na faixa etária que o mercado de trabalho procura, e não tinha desenvolvido nada de novo (interessante) durante o tempo que estive na empresa. Fiquei decepcionada comigo mesma. Más desistir nunca. Vamos ao post 2

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  2. Estou nesta condição a mais de um ano já fiz tudo tudo e estou trancado em um apto sozinho ” esperando a morte”! não tenho amigos nem familia, sou engenheiro de Segurança e meio ambiente e não tenho inglês. fiz faculdade porque consegui desconto nesta área era técnico de segurança do trabalho tenho 46 tristes anos.

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    1. Inglês é tudo, não estou conseguindo uma nova colocação no mercado por não falar inglês, más estou estudando e vou ultrapassar isto. Não desista,

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