No primeiro post (O que aprendi a duras penas quando fiquei desempregado – parte 1), tratei a respeito da frustração de ficar desempregado do dia para noite, da terrível sensação de abandono e da cruel rotina de quem está à caça de trabalho. Nesse texto, porém, meu foco será sobre o engodo das empresas de recolocação. Vem comigo?

Caí na besteira de contratar uma empresa para me ajudar na recolocação profissional. A propaganda foi encantadora: “você sabia que 75% das vagas não aparecem nos sites de emprego, e ficam circulando apenas nos bastidores das empresas de RH e nas mãos de headhunters?”. Puxa! Eu não sabia, e me 2dispus a pagar uma nota preta para acessar o “incrível ‘mercado negro’ ” de vagas. Pura enganação! Como diria padre Quevedo: “isso é balela!”. Sem exceções, todas as vagas que recebi em 6 meses de experiência com uma empresa de recolocação, ou estavam disponíveis na Catho ou no Linkedin. Pior, quando me ligavam pra contar a respeito de uma “nova” vaga, eu já estava inscrito para concorrer nessa mesma oportunidade há mais de uma semana. E eu paguei por essa falácia…

Quer mais? Pois vamos lá! Quando se contrata uma empresa de recolocação, eles pedem para você preencher um formulário com umas 500 informações, para servir de base de atuação para o consultor que será responsável por você – e deve ser responsável por outros 300, porque a atenção que ele dá é pífia. Nesse documento, o cliente coloca suas preferências, tais quais: aceita ou não mudar de cidade, faixa salarial pretendida, áreas de atuação desejadas e baboseiras do tipo. Demorou uns 3 dias para preencher decentemente um negócio desses, e olha que 3 dias de um desempregado têm tempo à beça, viu? O mais legal? Ninguém lê essa porcaria! A tal consultoria me ligava: aceita trabalhar em Goiânia? Topa receber 50% menos do que no último emprego? Aceita uma vaga na área de qualidade? Damn! Está tudo escrito na droga da papelada que encaminhei no começo! 3Por que me perguntam isso todas as vezes???!!!

Aguenta mais uma? Fique firme, então! Tudo isso que falei dá raiva, mas é administrável. O pior é que os danadinhos manjam de trollar o coitado do desempregado. Quando você assina o contrato, no afã de se recolocar, não presta a devida atenção que se você se recolocar em qualquer emprego, mesmo que não tenha nenhuma relação com o trabalho da empresa contratada, você deverá pagar um percentual (gordo) para eles!!! Como assim? Pois é, você paga os caras, eles não fazem quase nada por você, aí, você faz o trabalho que eles deveriam fazer, arranjando seu próprio emprego, e ao final, ainda tem que pagar para eles pel4o emprego que você mesmo arrumou!!!!! Ahhhhhhhhhh!!!! Acredite se quiser! A empresa de recolocação afirma que depois que fechamos o contrato, nossa exposição ao mercado aumentou, e certamente, se arrumamos um emprego existe relação direta com a “brilhante” atuação deles. Patético, revoltante, esdrúxulo, imoral e etc.

Por fim, acho que deu para perceber, não recomendo que ninguém pague a outrem para recolocação profissional. No passado, não havia internet, nem Catho, Linkedin, Vagas.com, nem nada parecido. Talvez, houve um tempo onde as vagas realmente ficavam às escuras, contudo, hoje, apenas uma ou outra vaga ficam obscuras, mas mesmo assim, em algum momento emergirão num dos canais citados anteriormente. Minha dica? Continue o que está fazendo: pesquisando muito, inscrevendo-se em bastantes oportunidades coerentes com seu perfil e histórico profissional, escarafunchando os sites da Michael Page, Hays, Robert Half e afins, reativando networks importantes e tendo muita fé e motivação, pois sua recolocação chegará em boa hora. E será melhor que a anterior! Vá firme e saiba que a saga continuará na parte 3. A gente se encontra lá!

 

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