Assustou? Calma, eu explico! Todos os dias assistimos às intermináveis denúncias de corrupção e falcatruas que assolam nosso país de modo cada vez mais feroz. São empresários, políticos, jogadores de futebol e toda espécie de gente fazendo de tudo para garantir seu quinhão, ou melhor, seu milhão, ou melhor ainda, seus milhões. Os brasileiros ficam indignados e querem que se faça justiça. Contudo, é só ficar atento às práticas cotidianas da população, para perceber que essa mesma corrupção de proporções épicas ocorre em volumes bem menores – em valores, não em quantidade – nas situações mais corriqueiras do dia a dia. Na verdade, o político de hoje foi cidadão até ontem, e aprendeu aqui em baixo a fazer o serviço sujo lá de cima. Responda: 

  • Qual a diferença entre pegar propina na Petrobras e pegar propina para agilizar uma papelada qualquer?
  • Qual a diferença entre burlar o fisco numa transição milionária para o futebol estrangeiro e comprar atestado médico para lançar na declaração de imposto de renda?
  • Qual a diferença entre pagar para ganhar licitação pública e pagar para o policial rodoviário aliviar sua barra?
  • Qual a diferença entre a falsidade ideológica do apartamento colocado em nome de terceiro e a carteirinha falsificada de meia entrada?
  • Qual a diferença entre trazer produto contrabandeado da China e comprar DVD pirata na banquinha da esquina?
  • Qual a diferença entre manipular dados oficiais e manipular informações contábeis em sua empresa?
  • Qual a diferença entre o caixa 2 da empreiteira gigante e da sua vendinha de bairro?

Eu respondo! A diferença é a escala! Um movimenta milhões e choca todo mundo, enquanto outro movimenta valores menores e não choca ninguém! Mas, em questão de princípios, dá no mesmo.

Por isso eu digo: o político corrupto de amanhã é o cidadão que pratica ilicitudes hoje. Quando você for eleito, a diferença é que fará tudo que sempre fez, só que movimentando mil vezes mais. Só isso. Não adianta o discurso (pseudo) moralista de sempre em relação aos mandachuvas do país, se a questão é que você faria o mesmo, ou até pior, se estivesse no lugar deles.

Ou agimos em favor da ética e da decência, ou o Brasil quebrará com tanto dinheiro desviado! E não é só no discurso, não! É na prática do dia a dia, seja na empresa onde trabalha, na padaria, no órgão público, no departamento de trânsito e na hora de prestar contas à receita. A saúde ficará cada vez mais caótica, a educação mais abandonada e os empregos sumirão cada vez mais, na medida em que não fizermos diferente desse modelo sujo que está a nossa volta! Cada um que olhe para si, e julgue seus atos, pois como diria Jesus: “quem comigo não ajunta, espalha”. De que lado você está, ajuntando para o bem ou espalhando para o mal?

Eng. William Mazza

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