Quem nunca deixou de se inscrever para uma vaga de trabalho por ter a impressão de que estão em busca de um super herói, e não de um ser humano comum? São tantos os requisitos exigidos, que daria para alçar um estagiário a diretor, caso cumprisse todas as demandas pedidas. Querem Capitão América, mas o mundo real está repleto mesmo é de chapolins colorados. 

Eis uma pequena lista de requisitos normalmente exigidos para a maioria das vagas que tenho visto:

  • Nível superior (de preferência em faculdade de primeira linha)
  • Inglês fluente (conto nos dedos da mão esquerda os profissionais que já conheci fluentes de verdade)
  • Pós-graduação (ainda com status de “desejável”, mas caminhando para “obrigatório”)
  • Experiência (tem que chegar pedalando…)
  • Vivência no exterior (Paraguai e Disney não contam, ok?)
  • Requisitos comportamentais
    • Gestão de pessoas (todo mundo se acha bom gestor)
    • Liderança (se todos tiverem que ser líderes, quem serão os liderados?)
    • Trabalho em equipe (a maioria das pessoas prefere decidir e fazer tudo sozinhas)
    • Relacionamento interpessoal (todo mundo é legal, desde que não precise ser cobrado! Com a cobrança, as máscaras caem)
    • Pró-atividade (a maioria só funciona no tranco, mas se acha pró-ativa)

Enfim, uma lista para lá de exigente, e nem sempre com uma contrapartida financeira que valorize metade disso tudo. Praticamente, um profissional “Capitão América”!

Contudo, entretanto, todavia, o mundo real é bem diferente! Todos nós, profissionais do mercado de trabalho, estamos mais para Chapolin Colorado do que para herói americano. Explico. Eu amo o Chapolin porque ele representa o anti-herói. Ele está muito mais próximo de ser humano, do que qualquer outro ídolo que conheço. E isso não quer dizer que ele seja ruim, pelo contrário, mostra uma série de virtudes:

  • Bom coração e generosidade
  • Resolve problemas (nem sempre pela melhor via, mas…)
  • Ora trabalha sozinho, ora trabalha em equipe
  • Tem bom humor (quem trabalha ao lado de um mal humorado sabe reconhecer o valor disso)
  • Apresenta um misto de coragem e medo (ambos sentimentos importantes na vida profissional)

Ou seja, é gente como a gente. É aquele que representa idealmente 99,99% dos candidatos a emprego para qualquer oportunidade. Tem vícios a serem corrigidos e virtudes a serem trabalhadas, como qualquer ser humano, até o mais arrogante, é capaz de enxergar para si.

Eu nunca fui Capitão América, e confesso que nunca me fez falta ter de sê-lo. Os entrevistadores com os quais já conversei, muitos e muitos chapolins, realmente desejam recrutar os melhores heróis, pois as empresas exigem isso deles, mas, certamente, cientes da realidade que os cercam, estão bastante atentos aos melhores chapolins, afinal, serão eles os contratados.

E nunca mais deixe de se inscrever em vagas que pedem super heróis, pois eles simplesmente não existem!

Viva o Chapolin!

Eng. William Mazza

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