Não adianta! Podem me explicar duzentas vezes, que não concordarei com a prática de oferecer vagas preferencialmente para quem já está empregado, ao invés de ofertar a mesma oportunidade para quem está disponível no mercado de trabalho. Na minha opinião, é uma insensatez! Explico.

Vamos aos motivos que levam recrutadores a darem preferência por aqueles que estejam empregados, em vez de procurar quem está parado:

  1. A pessoa está desempregada por algum problema que teve na empresa anterior. Nem sempre! Alguém pode estar desempregado por uma série de outros motivos: fechamento da empresa, corte de turno de trabalho, terceirização daquela atividade, politicagem interna, chefe inseguro e muito mais.
  2. A pessoa está desempregada por que teve baixa performance. Nem sempre! Tudo que descrevi no item acima vale aqui também.
  3. A pessoa está desatualizada. Nem sempre! Já vi gente com 30 anos de casa mega-super-ultra – desatualizada. Aliás, alguém fora do mercado pode estar muito mais atualizado do que alguém trabalhando, é só questão de atitude pessoal.
  4. Quem está parado, está desesperado para arrumar qualquer coisa. Nem sempre! É claro que voltar a trabalhar é o maior desejo de quem está parado, mas daí a dizer que a pessoa aceitará qualquer coisa só para retornar às atividades, é um exagero.

 

Agora, ofereço bons motivos para que um recrutador dê oportunidades a quem estiver em busca de recolocação:

  1. Ajuda a amenizar a grave crise social provocada pela inépcia do governo atual (sim, as empresas também têm papel social!).
  2. Disponibilidade imediata. Na maioria dos casos, os que estão em busca de recolocação podem iniciar um novo emprego quase imediatamente, sem ter que ficar aguardando por aviso prévio.
  3. Menor chance do candidato aprovado dar para trás. Quando se tenta contratar um candidato que está na ativa, sempre existe a chance de uma contra proposta por parte do empregador dele, e melar todo tempo e recurso despendidos na seleção.
  4. Contrata um funcionário que dá mais valor à empresa. Quem passa pelo flagelo do desemprego, amadurece muito. As horas sem trabalho geram muitas e muitas reflexões, e certamente trazem o benefício de uma gratidão maior pelo fato de estar empregado. Quem troca de empresa por outra, como quem troca de camisa, obviamente, não está ligando muito para além do próprio umbigo, e sairá tão logo receba outra proposta.
  5. Ganha um funcionário grato. Não tem jeito, quando alguém se recoloca, uma dívida de gratidão se instala no coração de quem venceu o desemprego e, certamente, isso se refletirá na relação do novo colaborador com a nova empresa.
  6. Não precisa pagar salário astronômico para tirar uma pessoa de outra empresa. Claro, ninguém sai de um trabalho sem receber uma remuneração superior à anterior. No caso de contratar alguém desempregado, é possível pagar um salário de mercado normalmente, sem insatisfação do contratado.

 

Não tenho dúvidas dos benefícios de contratar um funcionário que está disponível ao mercado, ao invés de selecionar um já compromissado com outra empresa. Claro, não é uma regra geral, mas pode ser uma excelente experiência para recrutadores e empresas que obedecem tão cegamente a essa “regra” de só contratar quem já está trabalhando!

Com a palavra, os recrutadores!

Eng. William Mazza

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