No final de 2007 assisti meu time do coração ser rebaixado pela primeira vez em quase 100 anos de história. Apesar de doloroso, não foi difícil entender os motivos da queda, nem que o caminho para que a equipe voltasse dependeria de muitas mudanças. Disciplina, dedicação e reorganização estavam entre elas.

Em 2014 foi a minha vez de disputar a segunda divisão da vida. O rebaixamento em 2013 talvez não tenha vindo sem motivo, porém poderia ter sido evitado se eu não tivesse sido tão ingênuo.

Fato é que, para disputar a “série B” eu precisaria estar preparado. Além de uma grande e dolorosa perda, eu teria que conviver com toda a torcida adversária, em campos horríveis, aguentar  juízes inescrupulosos e desonestos. Afinal, esse tipo de gente sempre está a postos nessas horas.

Porém eu sabia que não era o momento de entrar de cabeça baixa. Entregar os pontos é a mais vergonhosa das derrotas. Mesmo nessas horas sempre existe um aprendizado, e eu sabia que precisava tirar proveito de tudo de bom que ainda existia naquele cenário, sem perder nenhum grão da fé que eu carregava.

Para que isso acontecesse era hora de trabalhar dobrado. Disputar todas as partidas, jogar em todas as posições, erguer-se de todas as faltas recebidas e ser expulso se precisar. Foi nesse momento que percebi que minha torcida era maior do que a torcida adversária, que os campos já não eram tão ruins, e que a segunda divisão começava a ficar cada vez mais longe.

Faltava a final. Era a hora de decidir qual seria meu destino em 2015. Para trás todos os fantasmas e lembranças ruins, para frente todo o aprendizado adquirido em um ano de muito trabalho e dedicação. Felizmente deu certo, e eu estava entre os grandes de novo!

Amigo leitor, se esse ano você “caiu” pra segunda divisão da vida, saiba que vai enfrentar muitos desafios e milhões de desgastes. Porém nunca perca a fé. Afinal, os momentos bons passam, mas também nada que é ruim dura para sempre. Há sempre um ano novinho com bilhões de oportunidades.

Sobre meu time? O Corinthians voltou para a série A do campeonato no final de 2008 com uma campanha brilhante. Fica a lição e, mais do que ela, todos os ensinamentos adquiridos naquele ano fatídico, para que nunca mais haja um novo rebaixamento, inclusive na vida.

Um abraço!

Marcos Vini

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