Quando até ajudar é mal visto


Outro dia fiz um desabafo no Linkedin. Na tentativa de ajudar amigos e desconhecidos a arrumarem trabalho, lancei-me a escrever posts, gravar vídeos e orientar profissionais por e-mail, dando dicas e oferecendo um pouco de conhecimento sobre recolocação profissional. Sei que é apenas uma gota no oceano, mas sinto-me feliz em poder contribuir de alguma forma. E não é que isso também incomoda? Por algum motivo, talvez contagiadas pela tensão do desemprego e do grave momento político que o país atravessa, algumas pessoas me atacam diariamente de maneira feroz, como se eu as estivesse enganando ou ludibriando. Resolvi, então, contar um pouco do meu trabalho voluntário e da motivação que me faz ir adiante.

Eu já estive desempregado. Sei como é. Os amigos somem, ou melhor, revelam-senão amigos. As portas se fecham. O telefone não toca. A autoestima desaba. Os recursos se vão, mesmo fechando todas torneiras da já minguada vida social. Enfim, sei bem como funciona. Entretanto, graças a Deus, voltei a trabalhar numa grande empresa em 2015, e a vida voltou ao seu curso normal. Acontece que aquele ano foi passando, e vários amigos perderam seus empregos, quando começaram a me perguntar o que fazer e se eu poderia ajudar de alguma forma a se recolocarem. Percebi que poderia, e comecei a escrever posts no Linkedin em setembro do ano passado. De lá para cá, já são mais de 35 posts falando principalmente sobre minhas experiências de como atravessar os momentos difíceis do desemprego. Daí, em paralelo, surgiu o Blog Quero Trabalhar, além doCanal Quero Trabalhar, com meu amigo de faculdade Marcos Vini.

Como não sou especialista em recrutamento e seleção, cometo várias gafes, claro. Por exemplo, pedi para que engenheiros me enviassem currículos ou indicassem perfis seus ou de amigos, para que eu pudesse analisar e tentar dar alguma tratativa. Hoje, essa postagem já tem mais de 15 mil comentários e, obviamente, saiu totalmente do meu controle. Não tem o que eu possa fazer para ajudar tanta gente. Tenho, no máximo, contato frequente com alguns profissionais, que costumam falar de suas angústias ou pedem conselhos sobre o que fazer. Sei que é pouco, mas é o melhor que consigo fazer. Gostaria de ajudar muitos mais, mas não dá.

Ao longo desse tempo, contudo, conheci pessoas incríveis através do Linkedin. Gente séria e totalmente do bem. Vou citar alguns (morrendo de medo que outros tão especiais quanto estes se sintam esquecidos… mas não foram!): Vanessa Hedler, Thiago Nagasima, Elida Neves, Lilian Zape Patta, Carlos Ramirez, Viviane Bernarecki e outros tantos mais, que têm feito esta caminhada mais agradável. Eles têm me energizado e motivado a fazer cada vez mais!

Como funciona meu dia a dia? Trabalho numa empresa com milhares de funcionários, e assim que fico sabendo de vagas, vou à caça na minha própria rede. Mais de 90% das vezes, as vagas são confidenciais e não posso simplesmente publicar. Faço contato aqui, outro ali, e por aí vai. Também tenho amigos que trabalham em outras empresas, que me pedem indicações. Infelizmente, a maioria das vagas também é confidencial. De resto, numa rede de contatos hoje que beira 5 mil profissionais, minha página principal do Linkedin é um emaranhado de vagas do Brasil inteiro. Certamente, passam pelos meus olhos mais de 50 vagas postadas todos os dias, as quais, tento repassar as melhores e que mais têm a ver com os contatos que recebo diariamente. Deve ser irritante ser meu conhecido nessa rede social, pois as vezes publico 10 vagas seguidas, mas agora você entende e não fica bravo, não é mesmo?

Em relação às estatísticas:

  • Quantos se empregaram por minha causa? Não sei.
  • Quantos indicados por mim acabaram contratados? Não sei.
  • Quantos se motivaram com o que eu disse? Não sei.
  • Quantos desistiram depois de terem feito o que pedi, mas sem êxito? Não sei.
  • Quantos acham que minha ajuda não serve para nada? Não sei.
  • Quantos me apoiam e incentivam a continuar? Muuuuuuuuiita gente!!!

Enfim, não tenho números que me abonem, nem que me desabonem. É tanta satisfação poder levar uma palavra de alento a alguém que está sem esperança, motivar um desmotivado, encorajar quem já tentou de tudo e não consegue nada, simplesmente dizer “oi, amigo, como posso ajudar?”. Termino com a frase de um anônimo que me enviou uma mensagem por inbox no Linkedin, e que resume toda satisfação desse trabalho voluntário “obrigado, William, nesses tempos de desemprego é bom ter alguém pra chamar de amigo…”. Esse é o único e suficiente salário que recebo por esse trabalho.

Never say die!!!!

Eng. William Mazza

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