Tenho o privilégio de receber currículos de engenheiros praticamente todos os dias. Agradeço demais pela confiança e procuro dar o melhor destino para cada um, dentro de minhas possibilidades. Pensando nisso, preciso orientar nossa classe sobre como deve ser um autêntico CV de engenheiro.

Pouco texto

Via de regra, engenheiros não são dados a muita leitura, talvez por terem mais familiaridade com números do que com letras. Sendo assim, não adianta montar um CV de advogado. Ao contrário do profissional de exatas, os bacharéis em direito lidam muito bem com a língua materna, e costumam gostar de escrever, ler e falar bastante, refletindo essas características quando montam seus currículos. Quase sempre, o CV de um engenheiro é lido por outro engenheiro, que pode não ser muito afeito à leitura, por isso, não abuse da prolixidade: escreva pouco!

Erros de português

Nesse ponto, o CV do advogado deveria ser referência para o do engenheiro. Meu Deus! Há engenheiros que parecem só ter estudado ciências exatas na vida! Muitos não conseguem escrever um único parágrafo sem erros de português. Desconhecem regras de concordância, acentuação, pontuação… oras bolas, em seu trabalho, o engenheiro redige relatórios, monta apresentações para clientes e diretoria, e não pode ser um analfabeto do próprio idioma. Não adianta ser gênio dos números, e boçal com o vocabulário.

Língua inglesa 

Infelizmente, nosso país é um produtor quase irrelevante de tecnologia. Isso significa que importamos quase tudo, e a língua universal da ciência e tecnologia é o inglês. Não tem desculpa! Engenheiro sem inglês é tratado como profissional de segunda linha, pois não tem acesso ao que o mundo melhor produz em termos de avanços tecnológicos. Na área de engenharia, diferente do direito, língua inglesa é mandatória, sim senhor. Pelo menos, para os que sonham alto na vida.

Resultados numéricos

O CV de um engenheiro tem que apresentar números e resultados! Não adianta dizer que conhece “isso”, trabalhou com “aquilo” e que fez projeto em “não sei o quê”! Precisa apresentar provas concretas de resultados excelentes. Por exemplo:

    • Automação de linha industrial, com redução de 35 funcionários e saving de 1 milhão de reais por ano;
    • Projeto de troca de matriz energética (energia elétrica por GLP), com economia de 15 milhões de reais por ano;
    • Desenvolvimento de novos fornecedores na Ásia, com diminuição de custos operacionais de 25% em 2 anos;
    • Aumento de produtividade de 50% em 6 meses, com implantação de sistema Lean Manufacturing.

E como é a avassaladora maiorias dos CVs de engenheiro que recebo?

  • Vasta experiência em Seis Sigma (ótimo, e daí?)
  • Fortes habilidades em gestão de projetos (mas não cita nenhum projeto…)
  • Desenvolvimento de tecnologias de ponta, alinhadas com as mais recentes tecnologias do mercado (legal… disse, disse e não disse nada!)
  • Gestão de equipes de alta performance (lindo, mas nenhum exemplinho…?)

Enfim, poucos engenheiros se atentam para a importância de computar os resultados de seu trabalho, e elaboram currículos insossos e previsíveis. É preciso tirar o blábláblá maçante, e substituir por aquilo que realmente brilha os olhos de quem contrata engenheiros: resultados.

Meu apelo é para que os engenheiros tenham currículos de engenheiro: repletos de números, dados e conquistas alcançadas, mediante análise profunda de informações, e embasadas não em achismos, mas em indicadores amplamente fundamentados em conceitos sólidos e estruturados.

Viva a engenharia!!!!

Eng. William Mazza

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