A situação do mercado de trabalho continua crítica. Milhões de desempregados correndo atrás de limitadas vagas em circulação. Poucas perspectivas de melhora por enquanto, apesar das contas continuarem chegando sem piedade a empregados e desempregados. Nesse afã, muitas pessoas têm postado mensagens de desespero nas redes sociais, abrindo o coração e revelando o âmago da intimidade, como se isso abrisse portas no mercado de trabalho. Não penso que essa seja uma boa estratégia, e explico o porquê. 

Postei a seguinte mensagem dias atrás:

  • “Está sem emprego? Evite expor a delicadeza do seu momento repleto de dificuldades aqui no Linkedin. Guarde sua aflição para si, pois ninguém lhe dará oportunidade por dó. Tente passar uma imagem positiva a seu respeito! Será bem melhor.”

Claro, muitos concordaram, muitos discordaram. Absolutamente normal. O que me chama atenção, porém, são alguns argumentos contrários. Dizem que é fácil ter essa opinião estando empregado. Bobagem, já estive desempregado e agia da mesma maneira. Dizem que é um modo cruel de lidar com a situação. Por quê? O mercado de trabalho não é cruel? É, e muito por sinal! Se a sociedade fosse realmente acolhedora e “humana”, certamente não haveria ninguém pedindo esmola em semáforo, ou coisa parecida. Dez minutos de passeio em qualquer metrópole brasileira, e a dura realidade baterá logo logo em nossa janela.

Como venci o desemprego por duas vezes, acredito conhecer algumas estratégias para derrotá-lo. Funcionou comigo, por que não com outras pessoas? Continuo afirmando categoricamente que o apelo à caridade alheia, abrindo o coração em redes sociais, não é boa estratégia para se recolocar profissionalmente. Ao contrário, penso que funciona de maneira oposta. É muito mais eficaz mostrar-se positivo, por mais difícil que seja. O dia a dia de uma empresa é cheio de percalços e dificuldades, sendo que situações difíceis surgem a todo instante. Sendo assim, é preciso ter sangue frio, respirar fundo e botar a cabeça para funcionar, buscando alternativas de como solucionar os problemas. Ora, e não é isso que um recrutador busca em um candidato? Pessoas que resolvam os problemas de seus clientes? Se estivesse na pele de quem contrata, entre dois candidatos, optaria pelo otimista, determinado e corajoso, ou pelo instável, frágil e desestabilizado? Fácil responder.

Nossa intimidade pertence a nós e aos que nos são caros. Abrir o coração no Facebook, Instagram, Twitter ou LinkedIn, pode trazer algum alívio quanto a dar voz àquilo que incomoda, mas também traz o inconveniente de nos expor perante muitas pessoas que não estão interessadas em nosso bem estar. Pelo contrário, vários gostam mesmo é de ver o circo pegar fogo.

Finalmente, não queria terminar sem elogiar os que lutam para fazer diferente do padrão de insensibilidade. Preocupam-se com o próximo, oferecem ombro amigo, dizem palavras de apoio e oferecem algum tipo de conforto aos que enfrentam momentos difíceis. Colocar-se na pele do outro é algo nobre e difícil de encontrar, então, se você é um desses heróis anônimos, continue combatendo o bom combate, estendendo a mão sem esperar nada em troca, pois são muitos os relatos por aqui de pessoas que agem assim, e nem sempre colhem frutos de agradecimento. Também, se você já postou suas mazelas na internet e se sentiu magoado com o que escrevi, tente reler meu texto de maneira mais racional, e perceba que posso ter algum pingo de razão. Obrigado e boa sorte!

Eng. William Mazza

Anúncios