As redes sociais trouxeram novas possibilidades, dentre elas a de se conectar e conversar com qualquer pessoa, em qualquer lugar, a qualquer hora. É realmente extraordinário! Infelizmente, como sempre, surgem algumas distorções que, a meu ver, não funcionam, como por exemplo o networking de mentirinha.

Primeiro, o que é networking? Basicamente, é criar uma rede de relacionamentos, nesse caso, profissional. Sua rede, ou network, é formada pelas pessoas que você conheceu ao longo da vida, mais algumas indicações de colegas, que nem sempre há relação de amizade. Com a facilidade de se adicionar novos conhecidos no perfil do Linkedin, por exemplo, a velocidade de expansão da rede de conexões é altíssima. Em pouco tempo, é possível ter uma teia de milhares de profissionais interligados a você, mesmo que a qualidade desses novos contatos seja altamente questionável.

Acontece que começam a surgir novas situações que causam estranheza. De repente, abro meu perfil do Linkedin e sou surpreendido por recomendações profissionais de quem nem conheço. Fulano de Tal me recomenda por Liderança; Ciclano, por Gestão de Projetos; e Beltrano, por sua vez, Gestão de Talentos. Tudo bem, fico agradecido, mas não deixo de estranhar o fato de que nenhum deles me conhece, nem trabalhou comigo, então, de onde surgiram essas opiniões?

A verdade, é que virou um mercado de gentilezas: você me recomenda em um milhão de coisas, e eu, em troca, retribuo o favor, indicando outro milhão de competências, mesmo que seja mera suposição. O problema é que a ferramenta, que é ótima, perde a credibilidade, na medida em que recrutadores e headhunters passam a ignorar as recomendações recebidas, que sabem ser bastante exageradas. Resultado: todos perdem, mesmo que muitas dessas recomendações tenham sido feitas por ex-colegas de trabalho, e reflitam de verdade seus pontos fortes.

Outra situação estranha: surge uma pessoa do nada, e pede que você a recomende a outro profissional. Mas espera lá! Como posso indicar alguém que não sei nem o que faz? E se meu indicado futuramente aprontar um papelão na empresa, e eu for cobrado por quem recebeu a indicação, o que direi? “Ah, recomendei, mas não tenho ideia de quem seja.”. Poxa vida, que situação! A reputação de indicações de quem cometer uma gafe dessas desaba na hora. Já pensou a respeito?

Para finalizar, apresento outro caso. Recebi uma recomendação formal, via Linkedin, com um texto todo bonito, e em inglês, de um profissional de minha rede que nunca me viu na vida. Tinha certeza de que era um engano, até abordar o remetente: “Então, eu fiz a sua, dá para fazer a minha também?” – foi sua resposta. Veja só! O profissional inventou um monte de “resultados” a meu respeito, que fiz isso, que sou aquilo, mas, obviamente, não foi de graça, afinal, fui cobrado de fazer o mesmo em retribuição. Sinceramente, não consigo me imaginar sentado em frente ao computador, inventando um monte de frases bonitas e de efeito, a respeito de alguém que não tenho a mínima ideia de como trabalha! Jamais faria isso, até por respeito às pessoas que já tive oportunidade de recomendar, e conheço as competências!

O que desejo enfatizar é que networking é uma atividade trabalhosa e demorada. Leva-se anos para criar uma rede consistente de pessoas que te conheçam de verdade, e te indiquem para vagas boas e reais. A melhor maneira de se arrumar emprego, sem dúvidas, é ser indicado ou recomendado por alguém, de preferência da gestão da companhia. Só que para conseguir um feito desses, não será utilizando subterfúgios como os citados acima, pois nenhum profissional sério assumirá a responsabilidade de indicar uma pessoa desconhecida para qualquer oportunidade. Se o seu networking está sendo construído dessa forma, de mentirinha, lamento dizer que não funcionará a contento!

Eng. William Mazza

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