Em tempos de poucas oportunidades de trabalho, e consequente aumento da concorrência, muitos não resistem à tentação e acabam enxertando mais informações do que deveriam em seus currículos. “Todos fazem!” – é a justificativa padrão. Calma, não é bem assim funciona e eu explico o porquê.

Os currículos apresentam basicamente as mesmas informações: detalhes pessoais – resumo – experiência – formação acadêmica – idiomas – informática. Portanto, obviamente, só é possível inflar ou até mesmo inventar informações relativas a esses 6 itens. Detalharei os impactos dos exageros e inverdades em cada um deles.

Detalhes pessoais 

Muitos colocam endereços em locais mais atrativos do que a cidade atual de residência. Por exemplo, o cidadão mora até 100 km de uma grande cidade, e coloca que reside por lá, com a intenção de ludibriar o recrutador e mostrar que não há restrições com determinada vaga.

  • Perigo: achar que dá um jeito de morar no grande centro, sem levar em conta o real custo financeiro dessa decisão, além de todos problemas em manter uma segunda casa, separado de tudo e todos.

Resumo 

Apossar-se de resultados que não são seus como se fossem, ou então ser inocente e se gabar de “aprovar a empresa na auditoria de ISO 9001 ou TS”, como se essa atividade fosse fruto de apenas uma pessoa, quando na verdade envolveu dezenas de profissionais.

  • Perigo: pagar de super profissional e acabar se dando mal.

Formação Acadêmica 

Dizer que é graduado ou pós-graduado sem ser de fato. Isso é bastante comum, principalmente se tratando de segunda ou terceira graduações. Excesso de diplomas ajuda na hora de pleitear uma vaga em mestrado ou doutorado, no mercado de trabalho, contudo, pode ter efeito contrário e atrapalhar sua vida. Particularmente, prefiro resultados palpáveis a títulos acadêmicos.

  • Perigo: ser contratado por causa de conhecimentos importantes ministrados nesses cursos, e na hora do vamos ver, ser desmascarado como 171.

Idiomas 

Sem dúvidas, o item mais manipulado de todos. Quem não sabe nada, diz que fala inglês básico. O básico diz ser intermediário. O intermediário diz ser avançado. E o avançado diz ser fluente.

  • Perigo: passar vergonha logo na entrevista, quando tiver que falar ou fazer um teste e a verdade for revelada. Pior ainda é entrar na empresa sem ter o idioma testado, e não conseguir fazer uma ligação ou mandar e-mail em inglês. Onde se coloca a cara nesse momento?

Informática 

Diferente do item anterior, no qual a pessoa sabe que está ludibriando, com informática o fenômeno é outro: o profissional acha que sabe, mas não sabe. 99% dos currículos afirmam: “Pacote Office Avançado”. Pior é que o próprio CV totalmente mal formatado já entrega a verdade logo de cara! Agora, se não domina nem o Word, imagine Excel e Access que também fazem parte do pacote Office, e são bem mais complicados?!

  • Perigo: ser contratado por alguma habilidade específica de informática, e não conseguir entregar aquilo que é esperado, na rapidez e qualidade de quem realmente  diz entender dos programas de computador.

Espero que esse post traga luz àqueles que buscam emprego, e mostre que tudo que se faz, tem consequências. Sim, é verdade, você pode nem ser chamado para entrevistas por morar longe ou apresentar “inglês básico”, em detrimento de pessoas nas mesmas condições e que inflam os currículos com inverdades, mas uma coisa eu garanto: quem exagerar na dose certamente será desmascarado em algum momento! E a consequência disso será muito grave! Pense bem antes de inflar seu CV!

Eng. William Mazza

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