Nenhuma profissão é mais emblemática em relação a se encontrar culpados do que a de técnico de futebol. Não importa o quanto seja competente, ou os excelentes resultados conquistados no passado, quando se trata de sacrificar alguém esse profissional é o primeiro a perder a cabeça! Atitude típica da cultura brasileira.

O homem da foto era figura totalmente desconhecida até comandar a seleção brasileira na última olimpíada. Rogério Micale conseguiu uma proeza inédita no comando da seleção principal brasileira: a tão sonhada medalha de ouro olímpica! Um feito que nem mesmo outros renomados treinadores conseguiram.

Pois é, mesmo assim, bastou uma pífia participação da seleção no campeonato Sul-Americano sub-20 (cá entre nós, próximo do irrelevante…) e pronto! Como diria a rainha de copas de Alice no país das maravilhas: “Cortem a cabeça!!!!!!”. Pronto! Mais um técnico de futebol desempregado!

Impressionante a falta de paciência! Ou talvez, melhor, parece que somos viciados em procurar culpados. É uma sede por encontrar alguém para condenar que chega a assustar! Não se vai a fundo para resolver o problema, e a solução de demitir o profissional é sem dúvida a mais fácil e rápida.

Em minha opinião, a atitude de encontrar culpados esconde a incapacidade dos algozes em ocupar seus cargos de gestão. Afinal, como se justifica contratar um profissional e quando surgem os problemas deixá-lo sozinho pagar o pato? E onde fica a responsabilidade de toda administração?

O líder preparado utiliza a demissão como último recurso, jamais como primeiro. A demissão de um colaborador julgado como único responsável por qualquer problema que seja revela a fragilidade da equipe de trabalho. Onde estavam os outros que nada viram? Cadê a chefia cumprindo seu papel de observar e dar feedback? E os pares e subordinados que ajudaram a decidir e colocar as ordens do “culpado” em prática?

Mais uma vez, chega de colocar a culpa no sistema, na empresa ou na cultura! Inicie a partir de você a mudança que deseja para o Brasil! Não seja injusto e reparta a responsabilidade pelo trabalho realizado por sua equipe, e se algo der errado – e vai dar! – tenha a ombridade de assumir junto a sua parcela de “culpa”, pois com certeza quando os bons resultados aparecem ninguém deixa de surfar nessa onda, não é mesmo?

Eng. William Mazza

*também realizo análises minuciosas de CV e perfil de Linkedin, além de ter bolado a “Estratégia de Recolocação Profissional do WMazza em 10 passos” – Conheça!!!

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