Essa era a frase preferida de um importante executivo de uma conhecida empresa de consultoria de gestão com o qual tive a oportunidade de trabalhar em 2008. O que ele queria dizer? Explico.

Fernando era o nome dele, se não me engano. Um baita profissional! Ele queria dizer – de maneira bem irônica – que era muito mais fácil resolver um problema tomando uma medida extrema e impensada, do que tentando resolver a questão de verdade, enfrentando-a de frente. Obviamente, ele não concordava com aquela postura!

Lembrei de algumas situações que vivenciei no mundo corporativo, que se encaixaram perfeitamente na opção por “cortar o pé!”. Vamos a elas.

Em determinado momento, na jurássica era pré-WhatsApp, as mensagens eram enviadas através dos aparelhos celulares pelos malfadados e caros torpedos, ou SMS. Pois bem, eis que um não menos infortunado funcionário resolveu discutir a relação com a companheira utilizando essa ferramenta corporativa, enviando centenas de mensagens em curto período de tempo. Isso gerou uma conta telefônica de mais de mil reais. Resultado: cortada a possibilidade de envio de SMS para todos os funcionários da companhia! Meu Deus! Não era mais fácil dar uma bronca no desinfeliz e fazê-lo pagar a conta, ao invés de punir a empresa inteira? Claro, mas perante a dor no pé, preferiu-se então cortá-lo, mas não só do doente, e sim de todo o “hospital”.

Outra! Depois de longos anos saqueando os cofres da empresa, o grupo de fanfarrões foi descoberto e lançado ao mais profundo esquecimento nas profundezas do mar (nossa! Que dramático!!!)! Muito decepcionado por ter sido passado para trás, o mais alto executivo da companhia resolveu não pagar participação nos resultados para ninguém, nunca mais! Muita hora nessa calma! Foi isso mesmo que você leu! Por causa de meia dúzia, centenas foram castigadas! Nós que não roubamos ficamos pensando: “E o Kiko?”. Resultado: mais uma vez, a dor no pé trouxe consigo não só a sua supressão, mas também a das pernas e membros inferiores. Inacreditável, não?

A grande verdade é que resolver problemas dá trabalho! Às vezes, muito trabalho! Como bem satirizou o consultor do início do post, é bem mais fácil tomar uma medida impulsiva, rápida e rasteira, do que tentar pegar o touro pelo chifre e solucionar as dificuldades com grandeza e sabedoria. Meu apelo é para que resistamos ao caminho fácil da solução-guilhotina, e que ao contrário, estejamos dispostos a desbastar a pedra bruta com todo trabalho que for necessário.

Eng. William Mazza

*também realizo análises minuciosas de CV e perfil de Linkedin, além de ter bolado a “Estratégia de Recolocação Profissional do WMazza em 10 passos” – Conheça!!

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