Lembro-me como se fosse ontem: os funcionários entravam nas empresas e passavam pelo período de 90 dias dando o melhor de si, para que ao final fossem brindados com a tão sonhada efetivação junto ao quadro de funcionários. Hoje em dia, entretanto, muita coisa mudou, e esse período já é motivo de dor de cabeça nos corredores de inúmeras corporações Brasil a fora.

Incrível como o mundo se transforma tanto em tão pouco tempo! Eu peguei esse período de transição – de boa para ruim – da tão famosa “experiência”. Os recém-chegados eram os primeiros a chegar e os últimos a sair. Costumavam ser exageradamente prestativos, mas nunca eram criticados, pois todos sabiam que eles almejavam adentrar na instituição, custasse o que custasse. Não se mediam esforços para agradar e mostrar a todos como valeria a pena investir nos novatos. Infelizmente, esse quadro mudou.

Hoje, assisto estupefato as agruras dos tais 90 dias, que às vezes nem chegam a se completar. Tem de tudo: atrasos constantes, faltas injustificadas, excesso de atestados médicos entregues e até necessidade de aplicação de medidas disciplinares, isso quando o (a) cidadão (ã) não simplesmente abandona o trabalho sem mais nem menos. Muito triste! Aparece até aquele funcionário que procura a justiça para retratar algo desse micro período.

Minha pergunta é uma só: “O que mudou?”. Não sei. Só me parece que muitos hoje são “conscientes” de seus direitos, mas sem a contrapartida das obrigações. Com a anuência da justiça, que via de regra elege o empregador como réu preferencial, criou-se uma casta de profissionais que não dá a mínima para o trabalho, mas que busca qualquer brecha para tentar se beneficiar e, se possível, receber sem trabalhar. É uma contra-cultura, ou cultura laboral às avessas.

O pior de tudo isso é que num mercado globalizado, esses custos e ineficiências aparentemente invisíveis funcionam como bola de ferro atarraxada aos pés da já combalida produtividade nacional. Dessa forma, as empresas aqui instaladas procurarão países mais competitivos, gerando ainda mais desemprego e recessão na terra brasilis. Não estou animado, como se pode notar. Mas espere um pouco…

Vejo uma luz no fim do túnel… putz… é o trem vindo em nossa direção!

Apertem os cintos, pois o piloto sumiu!

Eng. William Mazza

contato: wmazza@bol.com.br

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