Neste texto suscitarei alguns questionamentos e reflexões. Muitos falam de motivação e utilizam essa palavra nos mais variados contextos. Você tem que ter motivação, assista a palestras motivacionais (eu pessoalmente detesto), coloque-se uma meta alta, pense no que quer comprar e por aí vai… Como naquelas revistas que anunciam nas suas capas as soluções definitivas para impasses existenciais existentes há milênios. Algo no mínimo questionável.

Em uma conversa recente com um amigo, ele me disse algo curioso: que a motivação pessoal deve ser alimentada todos os dias, caso contrário ela se perde, enfraquece e pode até desaparecer. De acordo com essa lógica, se alimentarmos todos os dias com pequenas doses ela terá um efeito acumulativo e nos deixará mais fortes mentalmente para conquistarmos os nossos objetivos, sejam estes relacionados ao trabalho ou a vida pessoal.

De acordo com a lógica do meu amigo, o ato de alimentar diariamente a motivação me parece ser algo equivalente a tomar banho, seguir uma dieta, fazer exercícios, tomar vitaminas, limpar a casa, construir um estilo pessoal, fazer uma poupança, conquistar um bronzeado bonito, estudar com vistas a algum objetivo. Aquelas tarefas, que fazemos (ou deveríamos fazer) todos os dias um pouquinho, que são parte da nossa rotina e que a cada período, – seja ele qual for, dias, meses ou anos – nos mostram um resultado que nunca poderíamos alcançar de uma tacada só.

Neste contexto, a motivação parece mais uma daquelas coisas de avanço gradativo, todos os dias um pouquinho. Até aqui tudo certo, mas como alimentar a motivação? É como aquela frase que tanto ouvimos na adolescência e um pouco depois dela: Menino crie juízo! – Tudo bem, criarei, mas o que ele come? Perguntei ao meu amigo, o que a motivação come? Infelizmente, ele não soube me responder…

A motivação, assim como o juízo, tem hábitos alimentares exóticos, pouco conhecidos e até mesmo secretos. Como você alimenta a sua motivação? Todos os dias em pequenas doses, sob pressão quando deixa tudo para a última hora, deixa que ela quase morra ou a disfarça de consumismo?

No caso de quem faz estudos acadêmicos, existe a prática de utilizar medicamentos para manter o foco. Entretanto, em diversos relatos, esses ao invés de fortalecer o foco nos estudos e na produção fortalecem o foco na procrastinação. Talvez, se entendermos a procrastinação como o inverso da motivação para o resultado, poderemos compreender o que nos causa incômodo e nos afasta do trabalho, dos estudos e de diversas outras atividades etc.

Sinceramente, eu ainda não descobri como alimentar a minha motivação de forma a me manter motivada por períodos longos. Eu, pessoalmente, estou em um período de procrastinação intensa. Se você descobriu como alimentar a sua motivação de forma saudável diariamente, por favor, compartilhe conosco.

 

Natalie Supeleto

Mestra em Artes e Pesquisadora de Mercados Culturais e Simbólicos

Contato: natalie.supeleto@gmail.com

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