Muita gente me pergunta como está sendo enfrentar uma carreira solo, como é cuidar de várias frentes de trabalho (marketing digital, fotografia de família e fotografia para empresas). A maioria das perguntas está relacionada com a questão financeira, mas como você ganha dinheiro sem emprego fixo? Mas você trabalha menos ou mais? Mas e a crise?

Olha, o que gastei de terapia dava pra comprar um carro. Foi um processo de longos anos e cabeçadas diversas. Tentei por três vezes colocar o plano atual em ação e desisti. Além da preparação em terapia, estudei muito fotografia, fiz sem cobrar um tempão, investi outro carro em equipamento enquanto respirava fundo nas agências me apegando num mural do futuro.

Um processo de transição é doloroso e evolutivo. Como planner, sempre fiz listas, planilhas, desenhos de como seria tudo. Eles foram essenciais para me nortear no que eu podia controlar. Mas não controlamos o cenário externo, as contas chegam debaixo da porta e imprevistos balançam a nossa vida. Foi aí que aprendi que o que não podia controlar não deveria consumir meu fígado e sim deveria ser transformado em orações, fé e busca de maturidade.

Vejo um movimento bem intenso dos insatisfeitos de entre 30-40 anos. A empresa, o chefe, o salário, a tão sonhada qualidade de vida. Como se a vida fosse Barbie e Ken com a casa própria, filhos, viagens, cachorro e um emprego incrível. Quando percebemos a ilusão e juntamos com nossas cabeças imediatistas empacamos de medo. O medo pode paralisar, gerar doenças e fazer você achar que fez tudo errado.

O que proponho aqui é que transforme seu medo em uma mola propulsora pra agir. Coragem é fazer com medo. Se você quer deixar seu trabalho e empreender, planeje, coloque tudo num papel, escute pessoas e escute seu coração. Pondere. Não precisa ser agora, não precisa ser amanhã. Esteja preparado para a dor, não coloque na gaveta e dê seu primeiro passo mesmo que tenha que abrir mão daquela vontade de ser a Barbie ou o Ken.

De repente você não precisa de um negócio seu, precisa reconhecer seu valor e buscar o que merece. De repente você não precisa insistir em velhas crenças e só precisa fazer um mochilão por aí. De repente você só precisa voltar pra academia, fazer outra coisa além de trabalhar e reclamar. De repente seu chefe só precisa de outra postura em sua de vida. De repente você precisa mesmo de terapia, de coach ou de fé. De repente você está procurando um emprego sem visão de prosperidade e por isso ele não vem. De repente você vai tentar 50 vezes até conseguir sabe por que? Porque sua vida não é de plástico, tem um bocado de sentimento aí.

Sua vida profissional é apenas uma jornada de aprendizado diário sobre quem você é, sobre o que você quer da vida. Ela não te resume em sucesso ou fracasso. E respondendo à pergunta: está funcionando sim pra mim, dói, mexe, me tira da zona de conforto. Mas eu prefiro ser de carne e osso mesmo. E você?

 

Josie Moraes

Estrategista e planner digital (empreendedora)

Contato: josie@josiemoraes.com.br

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